A aceleração das mudanças tecnológicas, econômicas e ambientais está redesenhando o cenário industrial. A simples adaptação já não é suficiente. Empresas que desejam se manter competitivas precisam antecipar tendências e construir estratégias robustas para o futuro. Mas como fazer isso de maneira estruturada? A resposta está no Foresight Estratégico, uma disciplina científica que permite mapear cenários futuros, identificar sinais de mudança e tomar decisões informadas.
No 4º Podcast Insights Lean, Ricardo Borgatti, Sócio-Fundador da Borgatti Consulting, conversou com Jaqueline Weigel, consultora de Strategic Foresight na W Futurismo, que compartilhou insights valiosos sobre como essa abordagem pode transformar a indústria.
Neste blog, vamos explorar essa metodologia e entender como gestores industriais podem utilizá-la para liderar, e não apenas reagir, às mudanças.
Continue a leitura e aproveite o conteúdo!
O que é Foresight Estratégico e por que ele é essencial para a indústria?
O Foresight Estratégico é uma disciplina baseada em dados, tendências e metodologias analíticas.
Diferente do planejamento tradicional, que foca apenas no curto prazo, o Foresight permite mapear cenários, antecipar mudanças e criar estratégias para lidar com diferentes possibilidades futuras antes que elas se tornem desafios críticos.
Principais características do Foresight Estratégico:
- Baseado em dados e tendências: utiliza informações concretas para mapear possibilidades futuras.
- Exploração de múltiplos cenários: avalia diferentes direções possíveis e suas implicações.
- Tomada de decisão proativa: permite que empresas influenciem o futuro, em vez de apenas reagir a ele.
- Integração com a estratégia corporativa: ajuda a alinhar inovação, investimentos e crescimento sustentável.
Como explica Jaqueline Weigel:
“Foresight é uma disciplina acadêmico-científica que é derivada de estudos de futuros, Futures Studies, no plural, que nos traz conceito, fundamento e metodologia. Quando você usa isso de um jeito estratégico, isso se chama Foresight ou Prospectiva Estratégica. É quando você mapeia sinais de mudança, entende as causas da mudança e explora as possibilidades que essas mudanças estão trazendo. Nós não estamos falando, então, de um futuro provável, nós estamos falando de futuros possíveis. Sim, futuros plurais, futuros prováveis, possíveis, plausíveis e o futuro que você deseja construir.”
(Jaqueline Weigel, consultora de Strategic Foresight na W Futurismo)
Empresas que adotam essa abordagem conseguem:
- Sair da inércia do planejamento tradicional e construir estratégias mais dinâmicas;
- Reduzir vulnerabilidades frente a crises e rupturas no mercado;
- Antecipar mudanças tecnológicas e regulatórias antes da concorrência;
- Criar modelos de negócios inovadores e sustentáveis para o futuro.
Foresight Estratégico x Planejamento Tradicional: Qual a diferença?
Muitas empresas já utilizam o Foresight como uma competência essencial, trazendo inovação e complementando o planejamento estratégico. No entanto, ainda há uma falta de visão de futuro nas empresas brasileiras, que permanecem focadas no curto prazo e deixam de estruturar estratégias para um crescimento sustentável.
Ou seja, grande parte das organizações ainda opera com um modelo de planejamento baseado em previsões lineares e metas imediatistas. O problema desse método é que ele ignora variáveis externas e os impactos das tendências globais, tornando as empresas vulneráveis a mudanças inesperadas, como novas regulamentações, avanços tecnológicos e crises econômicas.
As principais diferenças são:
O Foresight Estratégico se diferencia do planejamento tradicional em diversos aspectos essenciais para a tomada de decisão nas indústrias:
Horizonte Temporal:
- O Foresight Estratégico trabalha com médio e longo prazo, considerando cenários de 5, 10 ou até 20 anos.
- O planejamento tradicional, por outro lado, foca em curto e médio prazo, geralmente dentro de um período de 1 a 5 anos.
Foco:
- O Foresight explora possibilidades futuras e antecipação de mudanças, permitindo uma visão mais abrangente.
- O planejamento tradicional concentra-se na previsão e controle do presente, sem considerar variáveis de longo prazo.
Método:
- O Foresight Estratégico utiliza a exploração de cenários, identificação de tendências e análise de sinais fracos para projetar futuros possíveis.
- Já o planejamento tradicional baseia-se em metas fixas e desempenho passado, sem uma abordagem flexível para o futuro.
Flexibilidade:
- O Foresight é adaptável e ajustável, ajustando-se às novas informações e mudanças no ambiente externo.
- O planejamento tradicional tende a ser engessado e baseado em planos rígidos, dificultando respostas ágeis a transformações inesperadas.
Objetivo:
- O Foresight Estratégico tem como foco criar vantagens competitivas ao antecipar mudanças, permitindo que empresas liderem transformações no mercado.
- O planejamento tradicional busca manter estabilidade e eficiência operacional, o que pode limitar a inovação e a capacidade de resposta a mudanças disruptivas.
Jaqueline reforça essa diferença:
“A maioria das empresas tem um objetivo de curto prazo, porque três anos é um prazo curtíssimo. E a minha pergunta é: ‘Tá bom, mas para construir o quê?’ Não está ligado a nada, a não ser à sobrevivência ou a uma melhoria, ou a uma coisa fantasiosa. Então, quando a gente usa Foresight, a gente entende o que está acontecendo no presente, leva isso para alguns anos à frente para entender quais são as possibilidades e depois volta para o presente. Então pode virar um planejamento estratégico, mas que tem uma direção. Aí faz sentido.”
(Jaqueline Weigel, consultora de Strategic Foresight na W Futurismo)
Como aplicar Foresight Estratégico na indústria?
A implementação do Foresight Estratégico exige mudança de mentalidade e estruturação de processos internos.
No 4º Podcast Insights Lean, Jaqueline Weigel explica que o Foresight deve ser inserido na estratégia da empresa de forma recorrente e estruturada.
A seguir, estruturamos um passo a passo a partir das principais ideias extraídas de sua fala, destacando os elementos fundamentais para a aplicação do Foresight na indústria.
1. Letramento de futuros
O primeiro passo para aplicar o Foresight é o letramento da equipe estratégica e da liderança. Sem o entendimento dos conceitos fundamentais, não há como iniciar discussões estruturadas sobre o futuro da empresa.
“Se você não sabe o que é backcasting, se você não sabe o que é scanning, se você não sabe o que é visão de futuro de fato, se você não sabe o que é desdobramento de impacto, como é que a gente vai estabelecer uma conversa? Então, o consenso no mundo é o letramento da turma que vai cuidar da estratégia.”
(Jaqueline Weigel, consultora de Strategic Foresight na W Futurismo)
Os termos Backcasting, Scanning e Desdobramento de Impacto, citados por Jaqueline, fazem parte das metodologias utilizadas no Foresight Estratégico para analisar e projetar cenários futuros.
Entenda o significado de cada um:
- Backcasting: definir um futuro desejado e traçar os passos necessários para alcançá-lo.
- Scanning: monitoramento contínuo de tendências e sinais fracos de mudança.
- Desdobramento de Impacto: mapeamento dos efeitos de uma tendência ao longo do tempo e em diferentes setores.
2. Formação de um Comitê Interno de Foresight
Após o letramento, a empresa precisa formar um comitê interno, responsável por estruturar o processo de Foresight dentro da organização.
“O segundo passo é que a gente forme um comitê interno. Esse é o meu jeito de trabalhar. Eu formo um comitê interno em conceito, método e fundamento. E eu ajudo eles a colocar isso dentro da empresa de forma recorrente, com processos de governança, medição de resultados, análise de observatório de tendências, criação de cenários e reuniões estratégicas, para que, a cada ano, a estratégia vá ficando mais robusta.”
(Jaqueline Weigel, consultora de Strategic Foresight na W Futurismo)
3. Monitoramento de sinais e tendências
Antes de construir estratégias, é necessário identificar os sinais fracos e as tendências emergentes, que podem impactar a empresa no médio e longo prazo.
“Quando você vai para a próxima rodada, seria ótimo que antes de fazer o planejamento nos próximos 12 meses ou 3 anos, explorasse um pouco melhor com o foresight quais são os sinais de mudança, quais são as tendências, quais são as mega tendências, quais são os impactos, quais são as implicações, riscos, oportunidades, cenários do que vem pela frente.”
(Jaqueline Weigel, consultora de Strategic Foresight na W Futurismo)
4. Construção de cenários
Ao identificar sinais e tendências, a empresa precisa construir cenários para diferentes possibilidades futuras.
“Se você não considera um cenário totalmente ruim, destrutivo, você nunca está preparado para eventos como as enchentes no Rio Grande do Sul, pandemia, crises econômicas.”
(Jaqueline Weigel, consultora de Strategic Foresight na W Futurismo)
5. Definição de estratégias adaptáveis
A partir dos cenários criados, é necessário estruturar estratégias que sejam flexíveis e conectadas à visão de futuro da empresa.
No 4º Podcast Insights Lean, Jaqueline destaca que muitas empresas não querem pensar no impacto de longo prazo e acabam focadas apenas no presente.
No entanto, estratégias realmente eficazes precisam considerar o futuro do modelo de negócio, dos produtos e até dos mercados em que a empresa atua.
“Só que as empresas não querem pensar que, daqui a 10 anos, elas precisarão ter um outro modelo de negócio, um outro produto e, às vezes, até um outro mercado. Se você não começar a pensar nisso agora, não estará pronto daqui a 10 anos. Então, eu acho que o que o Foresight traz de poderoso é que ele revisita a visão de futuro, que vai além de visão, missão e valores. Ele questiona qual serviço você está prestando ao mundo e que impacto vai gerar nos próximos 10, 15, 20 anos. Com base nisso, você constrói negócios. Se eu tenho uma visão de futuro robusta, consigo fazer uma estratégia e um planejamento de curto, médio e longo prazo.”
(Jaqueline Weigel, consultora de Strategic Foresight na W Futurismo)
Portanto, o planejamento estratégico não pode ser rígido e isolado do futuro, pois não se faz planejamento de 10 anos de forma fixa, e planejar apenas para 3 ou 5 anos é curto demais para ser considerado futuro.
6. Implementação contínua e governança do Foresight
Para que o Foresight não seja um exercício isolado, é essencial que ele seja parte da governança da empresa, sendo revisado continuamente.
Portanto, o Foresight Estratégico não deve ser tratado como uma iniciativa pontual, mas sim como um processo contínuo dentro da empresa.
As empresas que estruturam esse processo conseguem tomar decisões mais sólidas e preparadas para o futuro.
Conclusão: Empresas que antecipam o futuro saem na frente!
Como você acompanhou ao longo deste conteúdo, o Foresight Estratégico não é uma tendência passageira, mas uma competência essencial para empresas que desejam sobreviver e prosperar em um mundo de mudanças aceleradas.
Enquanto muitas organizações ainda operam baseadas em previsões tradicionais e planos rígidos, aquelas que integram o Foresight em sua governança estão antecipando riscos e oportunidades, ajustando estratégias com agilidade e liderando transformações no mercado.
O futuro não é um destino fixo, mas um espaço de possibilidades. Sua empresa quer apenas reagir ou deseja moldar o próprio caminho?
Clique aqui para assistir ao episódio completo do Podcast Insights Lean e aprofunde-se no tema.
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