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A produção puxada é uma das principais técnicas utilizadas na filosofia Lean, adequada para praticamente todos os sistemas de produção! 

Em vez de produzir produtos com base em previsões de demanda futura, a produção puxada é baseada na demanda real do cliente, evitando estoque excessivo e desperdício. 

Quando aplicado de forma correta, essa abordagem ajuda a maximizar a eficiência e minimizar o desperdício, resultando em uma melhoria significativa da qualidade e redução de custos para o seu negócio!

Continue a leitura e aprofunde seu conhecimento sobre esse tema e saiba como implementar o sistema puxado na sua empresa ou indústria.

Aproveite o conteúdo!

Produção Puxada: Entenda o conceito

Antes de descobrir como aplicar a produção puxada na sua indústria, vamos retomar esse conceito e abordar a diferença entre os sistemas puxado e empurrado. 

O sistema de produção “puxada” (“pull system” em inglês) surgiu com o toyotismo, após a Segunda Guerra Mundial.

O conceito foi criado por Taichi Ohno da Toyota inspirado nos supermercados autosserviço (estilo pegue-pague) que existiam nos EUA na época. 

Ao contrário da produção “empurrada”, nesse modelo, o sistema produtivo é ativado pela combinação da demanda gerada pelo cliente e o status do estoque, conforme pré-definido.

Ou seja, a produção é “puxada”, com uma estratégia que envolve alinhamento da demanda efetiva com estoques, devidamente dimensionados e controlados, e capacidade produtiva gerenciada através de fluxos ritmados.

Em outras palavras, esse sistema é acionado com base na demanda real, e não em um forecast (previsão de venda) que visa empurrar para o mercado o que foi produzido de forma ‘planejada´.  

Essa abordagem faz parte da metodologia de gestão industrial Lean Manufacturing (Manufatura Enxuta), também conhecida como Produção Enxuta, em que se busca o atendimento da demanda real com o mínimo possível de custos e o aproveitamento adequado da capacidade instalada.

Cabe ressaltar que esse é o sistema produtivo mais adequado na atualidade para produção de produtos com demanda recorrente!

Vantagens:

  • Reduzir custos com estoque: com a produção puxada os estoques são otimizados, o que pode economizar espaço e reduzir os custos de armazenamento;
  • Eliminar desperdícios: nesse sistema, os estoques estão devidamente controlados e alinhados com a demanda, reduzindo drasticamente os desperdícios;
  • Flexibilidade: é mais fácil se adaptar às mudanças na demanda do cliente;   
  • Foco na qualidade: com a produção puxada, alinhando o tamanho dos lotes com a demanda, é mais fácil identificar e corrigir problemas de qualidade rapidamente, pois os erros são detectados e corrigidos mais cedo no processo de produção.
  • É mais sustentável para o seu negócio, pois impacta positivamente o caixa!

A seguir, entenda a diferença entre produção puxada e produção empurrada.

Produção Puxada X Produção Empurrada 

O sistema de produção “empurrada” é o mais tradicionalmente adotado após a Segunda Guerra Mundial.

No modelo “empurrado”, o sistema produtivo é ativado por um forecast (previsão de vendas mensal). Isso significa que a produção independe da demanda real de um produto.

Basicamente, ele segue o seguinte roteiro: produzir pelo plano > estocar > e tentar vender. 

Um alerta: esse sistema produtivo, ainda bastante disseminado, já não é o mais recomendado para produção de produtos de consumo recorrente!

“Sua utilização nessas indústrias se deve ainda à falta de especialistas com conhecimento aprofundado em sistemas puxados e às críticas inadequadas por mau entendimento desse sistema pelo pessoal especializado em planejamento empurrado (MRP), predominante no mercado, além do foco inadequado na busca da redução do custo unitário desalinhado com a demanda”, explica Ricardo Borgatti, Sócio-Fundador da Borgatti Consulting.   

Desvantagens do sistema empurrado:

  • Excesso de estoque do que não precisa e falta do que precisa
  • Maiores, gastos com armazenamento,
  • Mais desperdícios, com risco de obsoletismo de produtos ou de venda com descontos exagerados,
  • Reprogramações constantes, gerando estresse constante no sistema produtivo com perda de capacidade,
  • Ambiente caótico e conflitante, podendo gerar desgaste e desmotivação da equipe.

Veja a comparação entre os esses sistemas de produção

Conheça as principais diferenças entre a Programação Empurrada X Programação Puxada!

Programação Puxada (PULL):

  • Foca no Cliente; 
  • Orientada pela Demanda Real (Demanda Efetiva) contínua;
  • Considera estoques posicionados e dimensionados de forma independente;
  • Gerencia os níveis existentes de estoque de forma contínua;
  • Tem como premissa lead times desacoplados e variáveis;
  • Reage à demanda considerando os níveis de estoques existentes e utiliza o Forecast (previsão de vendas) apenas para cálculos dos limites dos estoques e avaliação da ocupação da capacidade;
  • Centrada no fluxo e gargalos.

Programação Empurrada (PUSH):

  • Foca no Plano;
  • Orientada por Forecasts periódicos;
  • Realiza um planejamento interdependente de níveis de estoque;
  • Tem como premissa leads times fixos e inter-relacionados (estendidos), como se não houvesse variações;
  • Não há “controle gerencial contínuo” de limites de estoque – apenas para o plano inicial;
  • “Ondas” de reprogramação;
  • Há uma tensão permanente entre o plano de produção com base no Forecast; (previsão de vendas mensal) e a demanda real;
  • Normalmente, centrada na eficiência de toda e qualquer “máquina”.

Agora que você já entendeu o conceito de produção puxada e as vantagens desse sistema de produção, vamos à prática?

Colocando em prática! 

Antes de saber como colocar o sistema puxado em prática, conheça algumas necessidades importantes para a sua implementação:

  • Estudo da Demanda;
  • Organização de Fluxos de produção: rotas, famílias, conexões;
  • Gestão de processos: controle de desempenho;
  • Gestão da capacidade: workload, gargalos;
  • Definição de posicionamento e Dimensionamento de Estoques;
  • Definição do Pacemaker (ponto único de programação),
  • Gestão de ritmo nivelado de produção (Heijunka).

Além disso, é fundamental o suporte de gestão da empresa com relação aos seguintes aspectos:

  • Gestão por indicadores;
  • Boa gestão de manutenção e ferramentaria
  • Gestão do controle de qualidade (CQ) alinhado com o ritmo da produção
  • Aplicação do Lean nas logísticas inbound e outbound
  • Cultura de Melhoria e 
  • Qualificação de Pessoas.

Como implementar?

No sistema puxado, cada produto ou material tem sua estratégia de posicionamento e dimensionamento de estoques voltada para atender a expectativa de sua demanda alinhado com a gestão de capacidade.  

Busque o entendimento adequado do papel e comportamento dinâmico dos estoques 

Para a implementação do sistema puxado, são considerados alguns parâmetros de reposição de estoque, tais como: 

  • Comportamento da demanda ou do consumo;
  • Lead Times, 
  • Intervalos de Reposição;
  • Variações de Lead Time e consumo
  • Nível de serviço esperado
  • Entre outros!

Quando é estabelecido o dimensionamento do estoque de cada produto ou material, esses são repostos apenas quando o consumo de determinada quantidade for capaz de disparar a reposição em função de determinado nível de estoque. Funcionando como um sistema de reposição de supermercado.

Portanto, no sistema puxado, o que inicia a programação da produção/reposição de estoques não é um plano baseado em uma previsão de vendas mensal (forecast) e uma política de manutenção periódica de um estoque fixo, estático, e sim o consumo do item em tempo real e o status momentâneo do estoque devidamente posicionado e dimensionado. 

Assim, o entendimento adequado do papel e comportamento dinâmico dos estoques faz com que cada um destes seja estabelecido de forma independente de outros estoques (e não como interdependentes), a fim de quebrar a onda de variações gerada pelo efeito chicote.

As características do sistema puxado, reagindo de forma contínua, conferem um aumento expressivo da qualidade dos estoques e um melhor tempo de resposta às mudanças do mercado. 

Implemente a rotina diária de gestão dos supermercados (estoques no sistema puxado)

É importante implementar uma rotina diária de gestão dos supermercados para visualização e atuação sobre os estoques de forma contínua e não apenas com base em relatórios mensais.

Desta forma, o sistema puxado reage melhor aos problemas em tempo real, tais como quebras, falhas, alterações de prioridades e outros eventos não planejados que podem ocorrer. 

O sistema puxado envolve a gestão de fluxo na produção e diferentemente do sistema empurrado não altera prioridades depois de iniciado o fluxo. Muitas vezes, o que foi programado antecipadamente por um sistema empurrado deixou de ser importante e ficará parado sem finalizar, em detrimento de outro produto que se tornou “urgente”. 

Com isso, também temos com o sistema puxado uma melhor utilização da capacidade. 

Domine a capacidade produtiva

Com a programação puxada, estabelece-se o “pacemaker” (ponto único de programação) que recebe a programação diretamente dos status dos estoques supermercados, ou seja, quando ocorre a necessidade real, e não mais planejada.

Assim, a mudança de prioridade praticamente inexiste neste ambiente. Após o ponto de programação, os produtos seguem o FIFO (first in first out – primeiro que entra primeiro que sai em português), por uma rota fixa pré-estabelecida, com base na demanda com visão de longo prazo (oriunda do MFV: Mapa de Fluxo de Valor).

No “pacemaker”, é possível medir “on time” o nivelamento do ritmo e do mix de produtos colocados para fabricação (via quadro heijunka) comparando-os à demanda média planejada e estabelecendo planos de ação em casos de desvios muito graves. 

Com isso, é possível estabelecer um arranjo produtivo estável com rotas de fluxos fixas e processos padronizados para produtos/equipamentos/mão de obra, elemento fundamental para as Operações de Alta Performance

Elimina-se assim a necessidade de programar as demais etapas, basta seguir a fila!

E como não há reprogramações depois de iniciado o fluxo há um melhor aproveitamento da capacidade.

Agora que você já sabe sobre a importância de aplicar a produção puxada no seu negócio, para isso, conte com a Borgatti Consulting !

Se você gostou deste conteúdo, vai gostar de ler também sobre: Desperdícios Lean: Como combater o excesso de produção e de estoque?

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