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Paradas planejadas no cálculo do OEE: devem ser consideradas ou não?

O OEE (Overall Equipment Effectiveness – em português: Efetividade Global do Equipamento) é um dos pilares fundamentais da gestão industrial moderna. 

Este é um indicador crucial para avaliar a eficiência e produtividade dos equipamentos, identificando e quantificando as principais fontes de perdas no processo produtivo. 

Contudo, a classificação das paradas, especialmente quando se trata de paradas planejadas versus não planejadas, pode gerar confusões e distorções na análise.

Neste blog, vamos esclarecer essa questão importante, fornecendo diretrizes claras para a utilização correta do OEE, garantindo uma visão realista e eficaz da capacidade produtiva de sua operação.

Este conteúdo foi baseado no e-book “OEE: Você domina o desempenho dos seus processos? Guia para desvendar os mistérios do OEE escrito por Ricardo Borgatti, Sócio-Fundador da Borgatti Consulting

Acompanhe conosco!

A Confusão das Paradas Planejadas no cálculo do OEE

A confusão na medição do OEE surge quando não há clareza sobre o objetivo do indicador e como ele deve ser utilizado para avaliar a capacidade e melhorar as causas de paradas não produtivas. 

Muitas vezes, as ‘paradas planejadas’ são excluídas do cálculo do OEE com o intuito de obter um indicador “mais bonito”. No entanto, essa prática pode ser prejudicial.

Problemas da exclusão das Paradas Planejadas no cálculo do OEE

Falta de acompanhamento: 

A exclusão das paradas planejadas impede o acompanhamento do desempenho e evolução dessas paradas. 

Paradas planejadas, como refeições e manutenções preventivas, são oportunidades de melhoria contínua que devem ser monitoradas e otimizadas.

Indicador irreal: 

Um OEE que exclui paradas planejadas não reflete a realidade operacional. 

Indicadores devem fornecer uma visão realista e precisa da capacidade produtiva para guiar decisões estratégicas e operacionais.

A seguir, conheça os tipos de paradas planejadas.

Tipos de Paradas Planejadas no cálculo do OEE

Manutenção Corretiva e Preventiva

A manutenção, tanto corretiva quanto preventiva, tem um impacto significativo no OEE, pois consome capacidade produtiva durante as paradas. 

É importante distinguir entre esses dois tipos de manutenção:

  1. Manutenção Corretiva: Intervenções para corrigir falhas e defeitos inesperados.
  2. Manutenção Preventiva: Ações planejadas para prevenir falhas e manter a operação contínua.

O OEE mede o impacto dessas manutenções na capacidade produtiva, refletindo o tempo total que a máquina fica parada. 

Um sistema de OEE eficiente deve registrar apenas se a manutenção é corretiva ou preventiva, evitando detalhamentos excessivos. Indicadores como MTBF (Mean Time Between Failures) e MTTR (Mean Time To Repair) podem ser usados para medir a eficácia da manutenção, mas com foco no impacto na capacidade produtiva.

Remover o tempo de manutenção preventiva do cálculo do OEE impede a avaliação de seu impacto na disponibilidade e capacidade. É crucial medir esse tempo para entender se a manutenção preventiva está realmente melhorando o desempenho do equipamento.

Quando a manutenção preventiva é realizada fora do tempo de operação, ela não impacta o OEE diretamente, mas ainda precisa ser registrada para análise de carga horária e efetividade.

Paradas para refeição

Outro exemplo comum de parada planejada é o período de refeição. Esse apontamento é frequentemente excluído dos sistemas de OEE com o argumento de que não pode ser considerado como tempo disponível devido à necessidade de alimentação das pessoas. 

Sem dúvida, as necessidades humanas são importantes. Contudo, sendo o OEE um indicador do equipamento, é importante lembrar que as máquinas não necessitam de pausas para refeições. 

Assim, deve-se apontar o tempo de refeição como hora parada.

Nos gargalos, é possível realizar um rodízio de tarefas (job rotation) com diferentes pessoas em horários alternados de almoço, utilizando colaboradores de equipamentos que não são gargalos. 

Dessa forma, a operação pode continuar fluindo mesmo durante as paradas para refeição, minimizando o impacto no cálculo do OEE.

A Armadilha do “Tempo Sem Produzir”

Outra armadilha comum envolve a manipulação do cálculo do OEE para aparentar uma “medição coerente”, sem entender o efeito falso na avaliação de desempenho. 

Isso acontece quando as “horas sem programação” são excluídas do cálculo do OEE, resultando em um desempenho aparentemente melhor.

A confusão começa com o conceito de “horas sem programação”. No cálculo do Tempo Disponível (TD), define-se quantos turnos serão utilizados para os processos. Se algum turno não for utilizado, essas horas são consideradas “horas de turno não programadas” e não entram no cálculo do OEE.

No entanto, dentro do período de TD definido, as “horas sem programação” devem ser consideradas horas paradas e registradas como “aguardando programação”. 

Essas horas entram no cálculo do OEE, refletindo a realidade da capacidade produtiva e evitando uma falsa impressão de desempenho.

Leia também: Intervalo de Programação: Como quantificar os setups que devo fazer por mês na minha fábrica?

Paradas Planejadas no cálculo do OEE: A importância do monitoramento contínuo

Os indicadores de OEE não são apenas números para “sair bonitos na foto”. 

Eles são instrumentos para conhecimento real da capacidade produtiva, baseando-se no desempenho atual e direcionando esforços para as principais causas de melhorias. 

Todas as paradas, sejam planejadas ou não, requerem acompanhamento e análise, pois todas afetam o uso da capacidade.

Conclusão

Considerar ou não as paradas planejadas no OEE é uma questão de objetividade e transparência. 

A exclusão dessas paradas pode mascarar problemas e oportunidades de melhoria, levando a decisões inadequadas. 

Portanto, todas as paradas devem ser monitoradas para garantir que o OEE reflita verdadeiramente a eficiência e a capacidade dos processos produtivos, promovendo uma melhoria contínua e sustentada.

Aprofunde seu conhecimento sobre cálculo do OEE lendo nosso post: Como definir a meta de OEE? Entenda a diferença entre OEE Real X OEE Necessário!

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