Inspirado na apresentação de Ricardo Borgatti, sócio-fundador da Borgatti Consulting, no 34º Fórum Nacional Lean, este artigo aprofunda o debate sobre um dos principais desafios enfrentados por gestores industriais e de supply chain: como aumentar o nível de serviço ao cliente com o menor estoque possível.
A palestra “Do MRP ao Sistema Puxado: Nível de Serviço Máximo com Estoques Mínimos” provocou reflexões importantes sobre a eficiência dos sistemas de planejamento utilizados atualmente.
As abordagens tradicionais baseadas em previsão, como o MRP, têm se mostrado limitadas em um ambiente de negócios volátil, complexo e com margens de lucro cada vez mais pressionadas.
Acompanhe!

A origem e o legado do MRP: fundamentos e limitações
O MRP (Material Requirements Planning), criado nos anos 1950 e amplamente difundido nas décadas seguintes, nasceu com a promessa de trazer organização e previsibilidade ao planejamento de produção. Seu foco estava alinhado aos paradigmas industriais da época, como a maximização da eficiência local (Taylorismo), produção em grandes lotes (EOQ) e custeio por absorção.
Porém, como ressaltado por Ricardo Borgatti, as premissas que sustentam o MRP se tornaram obsoletas diante da dinâmica atual do mercado. A ilusão de previsibilidade e controle, o foco em eficiência departamental e a dependência de previsões para acionar produção são alguns dos principais problemas associados ao modelo.
Apesar disso, estima-se que mais de 3 milhões de instalações de MRP estejam em uso ao redor do mundo, revelando um viés de consistência e resistência à mudança.
O Sistema Puxado como resposta adaptativa
Frente às limitações do MRP, modelos como Lean Demand Driven(LDD) e Demand Driven MRP (DDMRP) emergem como soluções mais adequadas ao ambiente atual. Ambos os sistemas adotam uma lógica puxada, baseada em consumo real ou status de estoque, e não em previsões incertas.
Essas abordagens utilizam estoques desacoplados como amortecedores estratégicos, definidos com base em análises estatísticas que consideram variações de consumo e lead time.
A reposição é acionada por pontos de reposição parametrizados e gerenciada por rotinas integradas com qualidade, manutenção, compras e financeiro.
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Indicadores de Qualidade de Estoques: foco no que importa
Um dos destaques da apresentação foi o Índice de Qualidade de Estoques (IQE), métrica desenvolvida para avaliar a distribuição dos SKUs entre cinco status: Crítico, Baixo, Ótimo, Cheio e Excesso.
Pontuações abaixo de 25% são comuns em empresas com sistemas empurrados, enquanto valores acima de 65% indicam alto nível de maturidade. Essa ferramenta tem se mostrado essencial para orientar decisões de planejamento e rastrear a evolução da gestão de estoques.
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Comparativo MRP vs. DDMRP: mudança de mentalidade
| Característica | MRP | DDMRP |
| Fator determinante | Previsão / S&OP | Consumo real / Estoque |
| Ambiente ideal | Estável e previsível | Volátil |
| Estoques | Acoplados e dependentes | Desacoplados e independentes |
| Parâmetros de controle | Estáticos e genéricos | Estatísticos e dinâmicos |
Essa mudança exige não apenas tecnologia, mas principalmente uma nova forma de pensar operações, abandonando a crença na lógica determinística e abraçando modelos adaptativos, guiados pelo fluxo e orientados para o cliente.
Conclusão: não há IA que resolva modelo de gestão ruim
Encerrando sua apresentação com uma frase contundente, Ricardo Borgatti reforçou que “não tem IA que resolva modelo de gestão ruim”. A mensagem é clara: antes de buscar tecnologias avançadas, é preciso revisar os fundamentos da gestão.
A Borgatti Consulting atua com referencial prático para a Gestão das Operações de Alta Performance, integrando atividades como planejamento puxado pela demanda, produção em fluxo com estoques dimensionados tecnicamente e gestão da cadeia produtiva de forma Lean. Fale com a gente e saiba como podemos ajudá-lo!
Para empresas que buscam competitividade sustentável, a evolução do MRP para o Sistema Puxado não é apenas uma alternativa, é uma necessidade.
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